Pular para a matéria
Ortopedia ColunaColuna explicada sem susto
Cirurgias

Parafusos na coluna: para que servem e o que muda depois da cirurgia

Como os parafusos na coluna sustentam a fusão óssea, quando a retirada entra em pauta e quais cuidados seguem.
Modelo tridimensional de vértebras que ilustra onde ficam os parafusos na coluna
Modelo tridimensional de vértebras que ilustra onde ficam os parafusos na coluna

O laudo de uma radiografia pós-operatória costuma trazer uma frase que assusta quem lê pela primeira vez: "material de fixação em topografia lombar". Em português corrente, a frase quer dizer que há parafusos na coluna, ligados por hastes, segurando as vértebras no lugar enquanto o osso se une. Para o paciente, as perguntas são simples: isso fica para sempre, dói, atrapalha a vida?

Uma parte da resposta está em saber quando placas e parafusos podem ser retirados. A página do diretório Central Ortopédica trata do assunto em termos gerais, a partir de fraturas e outras fixações. Ela afirma que a retirada não é regra: em muitos casos o material permanece no corpo por toda a vida sem causar problemas. A página não é específica sobre a coluna, e este texto também não decide nenhum caso.

Parafusos na coluna: o que eles fazem dentro da cirurgia

Os parafusos pediculares são usados, às vezes, na fusão da coluna para dar apoio e resistência extras enquanto ela cicatriza, segundo a MedlinePlus, biblioteca de saúde dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Eles são colocados acima e abaixo das vértebras que serão fundidas, e uma haste conecta os parafusos. O conjunto impede o movimento e permite que o enxerto de osso se una.

Em outras palavras, o metal não é o tratamento final. O metal é um meio, uma espécie de andaime provisório, e a união do osso é o que sustenta a coluna depois. Quando a fusão está completa, o trabalho mecânico principal já foi feito pelo próprio osso, e é por isso que o material pode ser mantido sem função aparente ou, em casos selecionados, removido. O diretório, apoiado no Manual MSD, descreve esse tipo de material como feito de aço inoxidável, de liga metálica de alta resistência ou de titânio, e menciona que ele pode incluir placas, parafusos, hastes, pinos e fios.

Em quais situações a coluna recebe esse tipo de fixação

A fusão costuma ser feita junto com outros procedimentos na coluna, como a descompressão em casos de estenose do canal. A MedlinePlus lista como motivos possíveis as lesões e fraturas, uma coluna fraca ou instável por infecção ou tumor, o escorregamento de uma vértebra sobre outra (espondilolistese), curvaturas anormais como escoliose e cifose, e a artrose da coluna.

Isso derruba uma ideia comum. Muita gente acha que parafuso é sinal de caso gravíssimo. Pode ser, mas a lista mostra situações bem diferentes entre si. Duas pessoas com parafusos na coluna podem ter motivos, riscos e recuperações muito distintos, e por isso comparar tomografias entre conhecidos costuma confundir mais do que ajudar.

Imagine um trabalhador de 52 anos, motorista de entregas, que ouve do cirurgião que a fusão vai incluir parafusos. A dúvida dele não é técnica. É se vai conseguir voltar a dirigir e a carregar caixas. A resposta depende da lesão, da técnica e da evolução, e só a equipe que o acompanha pode dá-la.

Os primeiros dias e o que muda no corpo

A MedlinePlus informa que a internação pode durar até três ou quatro dias. Durante esse período, a equipe ensina a sentar, levantar e andar, e a sair da cama pela técnica do rolamento, em que o corpo todo se move de uma vez, sem torcer a coluna. Pode ser necessário usar colete ou órtese ao sair do hospital.

Outro aviso da página: a cirurgia pode não aliviar toda a dor e que, em alguns casos, pode até piorá-la. Perder peso e se exercitar aumentam a chance de se sentir melhor. Os limites para dobrar, levantar peso e torcer o tronco, o tempo de recuperação e o ritmo de consolidação do osso não constam nessa página, e é a equipe cirúrgica quem define cada um deles.

Há uma consequência pouco comentada. Ao fixar um trecho, as vértebras acima e abaixo dele passam a trabalhar mais. Segundo a MedlinePlus, elas ficam mais propensas ao desgaste, o que pode gerar problemas depois. Por isso o acompanhamento não termina quando a ferida fecha. Consultas de revisão e exames combinados com a equipe fazem parte do tratamento, e faltar a elas porque a dor melhorou é um erro frequente.

O material fica para sempre?

Nem sempre, mas quase sempre fica.

Depois que a fusão cicatrizou por completo, os parafusos e as hastes podem ser retirados, mas a MedlinePlus ressalta que a retirada não é necessária, a menos que o material cause desconforto. Na prática, muita gente convive com ele sem pensar nisso no dia a dia, e só lembra da existência dos parafusos quando um exame de imagem ou um detector de metais aparece no caminho. Avisar sobre o implante em consultas e exames evita surpresas.

O diretório lista os motivos que a literatura descreve para discutir a retirada: desconforto ou dor ligados ao material, peça saliente sob a pele, infecção, falha do material e necessidade de tratar outra coisa na região. Ela cita uma pesquisa com 500 participantes da sociedade italiana de ortopedia, publicada em 2025, segundo a qual a maioria dos cirurgiões evita a retirada de rotina em pessoas sem sintomas.

Retirar também tem custo. O texto descreve riscos próprios: atraso de cicatrização, infecção, lesão de nervos, fratura no local dos orifícios, dificuldade técnica para extrair peças e persistência dos sintomas que motivaram a cirurgia. A decisão cabe à equipe que conhece o caso, e muitas vezes a melhor conduta é deixar tudo como está.

Riscos e sinais que merecem atenção

Entre os riscos da fusão, a MedlinePlus cita a infecção da ferida ou do osso. Cita também a lesão de nervos, que pode causar fraqueza, dor, perda de sensibilidade e problemas no intestino ou na bexiga. Também são possíveis o vazamento de líquido da coluna e a dor de cabeça que vem com ele.

Fraqueza nova nas pernas, perda de sensibilidade, dificuldade para controlar a urina ou as fezes, febre e secreção na cicatriz são sinais para falar com o cirurgião sem esperar o retorno marcado. Se houver dor forte, falta de ar, febre ou piora, procure atendimento. Em urgência, o SAMU atende pelo 192.

O que perguntar e como fica a cobertura

Algumas perguntas valem ser feitas antes da cirurgia. Vale saber o objetivo da fixação, o material usado e quais movimentos ficam proibidos, e por quanto tempo. Também é bom pedir uma cópia do relatório cirúrgico e perguntar se o material é compatível com ressonância magnética, dado que algumas pessoas precisam repetir esse exame ao longo da vida. O relatório, que traz o tipo e a marca do material usado, informação útil para qualquer médico que atenda o paciente no futuro.

Sobre a cobertura, o diretório informa que a retirada de material de síntese consta no Rol de Procedimentos da ANS, em dois itens, um ambulatorial e outro hospitalar. Constar no Rol não significa cobertura automática. Contam o contrato, a carência de até 180 dias para procedimento eletivo e a autorização da operadora. Pelo SUS, segundo o diretório, o pedido costuma partir do ambulatório de ortopedia que acompanhou o caso, com radiografia e laudo, e seguir para a regulação como cirurgia eletiva. A espera depende da oferta de salas cirúrgicas, e a Ouvidoria do SUS recebe queixas de demora.

Em resumo, parafusos na coluna são um meio, não o fim. Servem para sustentar o osso enquanto ele se une, costumam ficar no corpo sem incomodar, e só voltam ao centro da conversa quando causam desconforto ou quando surge outra necessidade médica. Guardar o relatório da cirurgia e manter o acompanhamento é o cuidado que mais compensa. Quem tem dúvida sobre o próprio caso deve levá-la ao cirurgião que operou, porque nenhum texto geral substitui essa conversa.

Compartilhar em: WhatsApp Facebook X

Veja também em Cirurgias