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Artrose no ombro: sinais do desgaste, o que trava o braço e quando operar

A artrose no ombro é menos comum que a do joelho, mas trava o braço antes mesmo de qualquer exame.
Fisioterapeuta mobilizando a articulação de uma paciente deitada na maca de uma clínica
Fisioterapeuta mobilizando a articulação de uma paciente deitada na maca de uma clínica

O primeiro sinal costuma ser doméstico: a pessoa não consegue mais passar o braço para trás para prender o sutiã ou pegar a carteira no bolso de trás. Depois vem o estalo ao girar o braço, a dificuldade para pentear o cabelo e a dor profunda que não melhora com o anti-inflamatório da tendinite. A artrose no ombro é menos comum que a do joelho e a do quadril, e por isso demora a ser lembrada, mas o jeito como ela trava o braço é reconhecível.

Trata-se do desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do úmero e a cavidade da escápula. Sem a cartilagem, osso roça em osso, a articulação inflama, forma esporões e perde movimento. Um ortopedista especializado em ombro costuma dizer que a perda de rotação é a assinatura da doença: a tendinite dói, mas gira; a artrose dói e não gira.

Por que a cartilagem do ombro se desgasta

Existem duas formas. A mais comum é a primária, ligada à idade, que aparece depois dos 60 anos e é mais frequente em mulheres. A cartilagem afina, perde a capacidade de amortecer e o osso responde formando bordas, os osteófitos.

Já a secundária aparece mais cedo e tem uma causa identificável: luxações repetidas que danificaram a cartilagem, fratura antiga da cabeça do úmero, ruptura antiga e grande do manguito rotador que deixou o úmero subir e roçar no acrômio, ou doenças como artrite reumatoide e osteonecrose.

Trabalho pesado por décadas e esportes de arremesso também aceleram o desgaste, mas pesam menos aqui do que no joelho, porque o ombro não sustenta o peso do corpo.

Artrose no ombro: sinais que a diferenciam de outras dores

A tabela compara a artrose com as três causas de dor no ombro com que ela é mais confundida.

SinalArtroseTendiniteCapsulite adesiva
Tipo de dorProfunda, dentro da articulação, pior no fim do diaNa lateral do braço, ao erguerDifusa, forte à noite na fase inicial
MovimentoPerda de rotação externa, com estalo e sensação de areiaPreservado, mas doloridoPerda em todas as direções, sem estalo
Idade típicaAcima de 60 anos30 a 60 anos40 a 60 anos, mais em diabéticos
RadiografiaEspaço articular reduzido, esporõesNormalNormal
EvoluçãoProgressiva ao longo de anosMelhora com tratamento em semanasResolve sozinha em um a três anos

Como o diagnóstico é feito

O caminho costuma ser curto:

  1. História: dor profunda há meses, perda progressiva de movimento, estalos, piora ao fim do dia.
  2. Exame físico: o médico mede a rotação externa com o cotovelo colado ao corpo e compara com o outro lado.
  3. Radiografia em duas ou três posições, que mostra o espaço entre os ossos e os esporões.
  4. Ressonância ou tomografia quando a cirurgia está em discussão, para avaliar o manguito rotador e a perda óssea da cavidade.
  5. Exames de sangue se houver suspeita de artrite reumatoide ou de outra doença inflamatória.
  6. Classificação do grau, que orienta se o tratamento começa por medidas simples ou já discute a prótese.

Tratamento sem cirurgia

Nos graus iniciais e moderados, o objetivo é controlar a dor e manter o movimento. Calor antes de mover, analgésico simples nos dias piores, anti-inflamatório por períodos curtos e fisioterapia com alongamento da cápsula e fortalecimento do manguito rotador são a base.

Em crise, a infiltração com corticoide alivia por semanas a meses e ajuda a atravessar o pior período. O ácido hialurônico tem resultado mais discreto no ombro do que no joelho. Nenhum dos dois recupera a cartilagem: eles ganham tempo e conforto.

O que fazer no dia a dia

Mover todo dia, sem carga, é o que mais preserva a função. Cinco minutos de pêndulo, rotação com bastão e deslizamento na parede pela manhã mantêm a amplitude. Evitar o esforço com o braço acima da cabeça e o peso de um lado só reduz as crises.

Adaptar a rotina ajuda: prateleiras mais baixas, mochila em vez de bolsa, dormir sobre o lado bom com o braço apoiado num travesseiro. Perder peso pesa menos do que no joelho, mas o controle do diabetes e o fim do cigarro melhoram a resposta a qualquer tratamento.

Quando a prótese entra

Trocar a articulação por uma prótese é indicado quando a dor limita o sono e as tarefas básicas apesar de meses de tratamento, e a radiografia mostra desgaste avançado. Existem dois tipos principais: a anatômica, que reproduz a articulação original e exige um manguito rotador íntegro, e a reversa, que inverte a geometria e funciona mesmo com o manguito rompido, sendo a mais usada acima dos 70 anos.

Essa cirurgia dura em torno de duas horas, com internação de um a dois dias e tipoia por três a seis semanas. O alívio vem nas primeiras semanas, o movimento útil volta em três meses e o resultado final aparece em torno de um ano.

Artroscopia: quando faz sentido

Em graus iniciais, com esporões que bloqueiam o movimento ou fragmentos soltos na articulação, a artroscopia limpa a articulação e libera a cápsula. Ela adia a prótese em pessoas mais jovens, mas não cura o desgaste. Acima de certo grau, o benefício é pequeno e o ortopedista costuma ir direto à discussão da prótese.

O que esperar da evolução

O desgaste avança devagar. Muita gente convive anos com dor controlada e movimento suficiente para a rotina, usando as medidas simples. O que acelera a decisão pela cirurgia é a dor noturna que não cede e a perda de tarefas básicas, como vestir-se e alcançar a prateleira. Com a prótese, a maioria recupera essas tarefas e dorme sem dor, ainda que o braço não volte à amplitude de um ombro jovem.

Perguntas frequentes sobre artrose no ombro

Tem cura?

Não no sentido de recuperar a cartilagem perdida. O tratamento controla a dor e mantém o movimento, e a prótese resolve os casos avançados.

Aposenta?

Só quando impede a atividade profissional de forma definitiva, o que a perícia avalia caso a caso. A maioria segue trabalhando com adaptações.

Posso fazer musculação?

Pode, com carga leve, sem movimentos acima da cabeça e com foco no manguito rotador e nas costas. Supino pesado e desenvolvimento ficam fora.

Colágeno ajuda?

Não há prova de que reconstrua cartilagem. Se houver algum efeito, é discreto e sobre a dor, não sobre o desgaste.

Quanto tempo dura uma prótese de ombro?

Na maioria dos casos, mais de dez a quinze anos. Em pessoas mais jovens e ativas, pode precisar de revisão.

Estalo no ombro é sempre artrose?

Não. Estalo sem dor e sem perda de movimento é comum e benigno. Estalo com dor profunda e rotação reduzida sugere desgaste.

Resumo

A artrose no ombro é o desgaste da cartilagem que dá dor profunda, estalos e, principalmente, perda de rotação. Aparece após os 60 anos ou mais cedo depois de luxações, fraturas e rupturas antigas do manguito. Calor, movimento diário, fisioterapia e infiltração controlam a maioria dos casos por anos, e a prótese, anatômica ou reversa, resolve a dor e devolve as tarefas básicas quando o desgaste avança.

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