Uma cena comum se repete todas as noites: luz apagada, rosto iluminado pela tela e dezenas de rostos perfeitos deslizando pelo Instagram. Pele sem marcas, traços simétricos e juventude constante. Sem perceber, muitas mulheres entram em uma comparação silenciosa antes de dormir. O problema, no entanto, não é apenas estético.

Após os 40 anos, muitas mulheres enfrentam mudanças emocionais, hormonais e de identidade. O corpo muda, o rosto amadurece e a relação com a própria imagem se torna mais sensível. Nesse contexto, os filtros digitais criam uma referência impossível de ser alcançada.

O fenômeno é conhecido como “dismorfia dos filtros”. Trata-se de uma condição psicológica ligada à dificuldade de aceitar a própria aparência sem alterações digitais. A pessoa se acostuma tanto com a imagem filtrada que passa a estranhar o próprio rosto real.

Uma das formas de combater esse problema é o “desafio das 48 horas sem filtros”. A proposta é simples: durante dois dias, a pessoa deve postar stories, selfies ou vídeos sem qualquer filtro de suavização facial. O objetivo não é a exposição extrema, mas a reconstrução gradual da autoimagem real. Essa pequena mudança ajuda o cérebro a diminuir a dependência estética digital e reduz a necessidade constante de aprovação visual.

Para complementar, especialistas recomendam que os gatilhos digitais sejam combatidos com contrapesos humanos no dia a dia. A prática de se olhar no espelho sem julgamentos e o contato com atividades que não envolvam telas são algumas das estratégias sugeridas para fortalecer a autoestima.

Cristina Leroy Silva

Cristina Leroy, formada em Letras pela UNICURITIBA, é autora do blog ortopediacoluna.com.br, onde compartilha conhecimento sobre a saúde da coluna.

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