A Anvisa aprovou nesta terça-feira (26/5) o registro da Ozivy, a primeira caneta emagrecedora brasileira com semaglutida. O medicamento é um concorrente direto do Ozempic no mercado nacional.

A aprovação permite a comercialização do produto, mas ele não estará disponível imediatamente nas farmácias. A fabricante EMS prevê que o lançamento ocorra em cerca de dois a três meses, com chegada esperada até agosto. A produção será feita em Hortolândia (SP), em uma das maiores plantas farmacêuticas do país. A empresa já se preparava para o lançamento desde a expiração da patente da semaglutida no Brasil, em março.

A Ozivy é uma caneta injetável à base de semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic, usado no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. A diferença principal é que se trata de um produto desenvolvido e produzido no Brasil. Apesar de ter o mesmo composto, a Ozivy é classificada como medicamento similar, e não genérico, o que significa que tem marca própria e pode seguir regras diferentes de precificação e produção.

O preço da Ozivy ainda não foi definido oficialmente pela EMS, mas estimativas já circulam no mercado. A principal referência é o valor atual do Ozempic, vendido em torno de R$ 1.300. Segundo projeções do Itaú BBA, a nova caneta brasileira pode chegar ao consumidor com desconto inicial entre 20% e 30% em relação ao produto importado. Com base nisso, o valor estimado da Ozivy ficaria próximo de R$ 1.039, embora o número dependa da definição final da empresa e da regulação da Cmed.

A chegada da Ozivy pode aumentar a disputa no mercado de medicamentos à base de semaglutida, o que tende a pressionar os preços para baixo, especialmente entre fabricantes nacionais e internacionais. Especialistas apontam que a redução pode ser gradual, já que o setor ainda enfrenta limitações de produção e entrada de novos concorrentes.

Apesar da chegada da Ozivy, a produção nacional de canetas emagrecedoras ainda enfrenta desafios. Fabricar medicamentos injetáveis exige alta complexidade técnica e investimentos elevados. A EMS investiu cerca de R$ 1,2 bilhão em sua planta de Hortolândia para viabilizar esse tipo de produção, que exige rigoroso controle de esterilidade e logística refrigerada.

Além disso, a Anvisa deve aprovar no máximo três projetos por semestre, o que pode estender a entrada de novos medicamentos até o fim de 2027. A Ozivy representa a entrada do Brasil na segunda geração de medicamentos para obesidade à base de semaglutida, que pode levar à perda de até 15% do peso corporal.

Cristina Leroy Silva

Cristina Leroy, formada em Letras pela UNICURITIBA, é autora do blog ortopediacoluna.com.br, onde compartilha conhecimento sobre a saúde da coluna.

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